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08/08/2019

Clube do Livro MA: clippings! [2019]




Reunimos aqui matérias, posts, entrevistas e ademais com o Clube do Livro MA \o/ Assim você pode conhecer mais por onde já passamos e o que parceiros, participantes, equipe e demais têm a dizer sobre nós.

Veja anos passados AQUI.




Clube do Livro Maranhão explora do formato de audiolivros em encontro (link) – nota de divulgação do Clube de Janeiro. Redação Na Mira/Imirante. 

Livro em dispositivos digitais: os ebooks (link) – matéria e entrevista com participação de integrantes do Clube do Livro Maranhão sobre a importância dos livros impressos e dos e-readers. TV Universitária/Jornal da Manhã, imagens de Tamara Cantanhede, produção Luciana Rodrigues e reportagem de Robert Oliveira. (veja a partir de 8:33).

Clubes de leitores na capital (link) – matéria e entrevista com participação de integrantes do Clube do Livro Maranhão e LiteraClub sobre a importância dos clubes de leitura. TV Universitária/Jornal da Manhã, imagens de Luis Carlos, produção Luciana Rodrigues e reportagem de Alessandra Medina. (veja a partir de 2:41).

Compartilhando Leituras: o impacto do hábito de ler (link) – roda de conversa com residentes do Creative Pack e Espaço Black Swan, com mediação de Bárbara Hellen (instagram literário @cactosliterarios).

Programa Radioletra conversa com Ianara Diniz, diretora do Clube do Livro Maranhão (link) –entrevista. Rádio Timbira/Universidade FM. Apresentação: Suzana Santos e Zema Ribeiro.


Conheça a Embaixadora do Prêmio IPL 2019 (link) – anúncio e título à mediadora do Clube do Livro Maranhão, Fernanda Araújo. Redação Plataforma Pró-Livro, texto Daniele Pechi.

Maranhense é selecionada como embaixadora de prêmio literário (link) – matéria sobre título e prêmio IPL. Redação Site Volts, texto de Lucas Nash.


Este post sofre update de tempos em tempos.

01/10/2018

Mulheres contra Bolsonaro - uma experiência

Clubista participou do movimento #EleNão #EleNunca #EleJamais

Para quem não sabe, o movimento #EleNão surgiu quando mulheres decidiram se reunir contra o candidato que tem como plano de governo a intolerância. Para se ter uma ideia do tamanho do movimento, você pode conferir esses artigos da BBC Brasil e El País Brasil.

Em São Luís, não foi diferente e o #EleNão contou com uma multidão. Foi lindo, foi histórico e impactante. Confira a cobertura feita pelo Jornal O Imparcial e  Sobre O Tatame.


Como o Clube do Livro Maranhão tem como sinônimo "lugar seguro", falamos com Ianara Diniz, clubista e Assessora de Assuntos Institucionais do CLM sobre a participação dela e de sua filha Maria no movimento #EleNão em São Luís, que aconteceu no último sábado (29/09/18):



CLM: O que te motivou a participar do movimento #EleNão e a levar a sua família?

ID: O que me motivou foi exercer tudo o que prego na minha vida: amor ao próximo, respeito e tolerância. Sou totalmente contra qualquer tipo de ódio, seja ele a religião, orientação sexual ou ideologia. Ensino isso aos meus filhos. Ao aderir ao movimento #EleNão foi uma forma de colocar em prática tudo isso. Não faço parte e nem defendo partido político. Gosto de dizer que não tenho "rabo" preso com ninguém, mas depois de tantas atrocidades ditas por um candidato que almeja alcançar um cargo tão importante no nosso País e sendo totalmente contrário ao que eu prego, impossível ficar em silêncio.


CLM: Quando chegou na praça Maria Aragão, qual foi o sentimento presente?

ID: Quando cheguei e vi a organização, segurança e principalmente o espírito do evento, senti orgulho de fazer parte, principalmente por minha filha estar ali comigo.


CLM: Como foi a passeata?

ID: Sabe o que é você olhar para o lado e observar mulheres, homens, crianças, famílias, pessoas de vários partidos políticos, religiões e orientações sexuais, todos pregando o amor, querendo mudança, segurança, mas que não desejam o retrocesso, o ódio, a falta de respeito? Essa foi a passeata. Não houve incidente, acidente ou desrespeito como alguns divulgaram.


CLM: Para finalizar, qual a importância do movimento pra você?

ID: Como mãe e cristã eu tenho minhas convicções sobre o que é pecado ou não, mas o que EU creio não pode desrespeitar o OUTRO. O movimento foi uma forma de debater isso em casa, com a família e amigos, juntamente porque "direitos adquiridos" precisam ser protegidos. Como não falar de homofobia se pessoas são assassinadas cruelmente por serem gays, inclusive pela  família? Como não falar das mulheres sendo mortas pelos companheiros?
Creio que quem governa, tem que governar pra todos e se um candidato e/ou eleitores chacotam da luta contra o machismo, homo(lgbtq+)fobia, racismo, eles chacotam de quem é assassinado, abusado, estuprado, simplesmente por ser mulher, LGBTQ+ ou negro!
Eu sou contra o ódio e na minha casa eu prego o amor ao próximo, por isso: #ELENÃO #ELENUNCA.

02/04/2018

Clube do Livro MA: clippings! [2018]



Reunimos aqui matérias, posts, entrevistas e ademais com o Clube do Livro MA \o/ Assim você pode conhecer mais por onde já passamos e o que parceiros, participantes, equipe e demais têm a dizer sobre nós.

Veja anos passados AQUI.

Mapas Culturais: Coletivo Clube do Livro Maranhão (link) – MuseusBr

O Clube do Livro Maranhão hoje é um coletivo cultural de encontros regulares, todos realizados na capital, em um espaço especial no interior da Livraria Leitura do São Luís Shopping. No cadastro oficial há mais 100 pessoas, sendo 80% do sexo feminino, de diversas as idades (na faixa de 15 a 65 anos); a média de participantes por encontro, no entanto, é de 20 a 30 “clubistas”. Dentre estes fiéis leitores, comparecem blogueiros e vlogueiros literários locais, assim como professores, estudantes e outros, como familiares acompanhantes e visitantes da própria livraria, estes dois últimos que são atraídos pela iniciativa. Foca-se, deste modo, no leitor comum, aquele que experimenta a leitura e a partir dela se interessa em compartilhar e conhecer experiências de outros leitores.

Clube do Livro Maranhão marca seu primeiro encontro do ano (link) - nota de divulgação do Clube de Janeiro no site e newsletter Publish News.

A próxima edição do Clube do Livro Maranhão terá a Geração Y como destaque. No espírito Buzzfeed de ser, Manuela Barem, editora-chefe do site, compilou fatos, curiosidades e comportamentos da maior geração da atualidade e tudo isso em 58 listas compartilháveis, humoradas e nada mais que geniais. Entre o inusitado, cultura pop e o cotidiano, o livro 58 listas – 33 úteis & 25 nem tão úteis (Paralela, 132 pp, R$ 34,90) abre todo tipo de conversa, da fascinação aos desconfortos desta geração que não consegue mais viver sem tecnologia, mas sem deixar o humor ou o velho saudosismo pelos anos 90 de lado. O primeiro encontro do ano do Clube acontecerá no próximo dia 27, às 15h, na Livraria Leitura do São Luís Shopping (Av. Professor Carlos Cunha, 1000, Jacarati – São Luís / MA) e a entrada é gratuita. 

Encontro literário promove debate sobre relacionamentos abusivos (link) – nota de divulgação do Clube de Março na coluna Deixa Eu Te Contar do jornal O Debate do Maranhão. Jornalista Flávia Bitencourt.

Neste março, mês que reforça a luta das mulheres e a informação sobre reivindicar seu espaço, vale retrabalhar a consciência sobre dependência emocional, machismo e relacionamentos tóxicos. É nesse contexto que “Belo Desastre” (Editora Verus) da Jamie McGuire, livro ícone do gênero novo adulto e primeiro de uma série, promete movimentar o encontro do Clube do Livro Maranhão, por trazer uma trama romântica baseada em uma relação conturbada. O Clube de Março será no sábado do dia 24, às 15h, na Livraria Leitura do São Luís Shopping (Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati – São Luís/MA); entrada gratuita. Participe!

Clubes de Leitura crescem em São Luís; saiba como participar (link) – matéria sobre clubes de leitura na cidade no jornal O Imparcial. Jornalista Robert Oliveira.

Quem também conversou com nossa equipe foi uma das coordenadoras do Clube do Livro do Maranhão, Kleris Ribeiro. Segundo ela, o projeto é uma atividade para leitores trocarem impressões e dicas de leitura, mas com visão, responsabilidade e dedicação. “É um coletivo que reúne cidadãos da comunidade leitora em encontros e eventos literários, com determinada frequência (mensal) e em determinado local (livraria), para mediar o impacto real que os livros têm ou podem ter na vida das pessoas”, ressalta.

Clube do Livro realiza novo encontro do Planeta de Leitores (link) - nota de divulgação do projeto com a editora Planeta de Livros. Redação Site Volts.

A fim de promover um reencontro do autor com seus leitores ludovicenses, neste agosto o Clube do Livro Maranhão, em parceria com a Editora Planeta e a Livraria Leitura, recebe Daniel e seu último lançamento para a sexta edição do Planeta de Leitores. Livros como “Por onde andam as pessoas interessantes?” (2015), “Depois do fim” (2016) e principalmente “O que eu tô fazendo da minha vida?” (2018) trazem discussões necessárias sobre romantizações, conflitos, dilemas, relacionamentos abusivos, saúde mental e psicofobia.
Desde 2016, o projeto realiza em São Luís encontros literários com autores da casa editorial, marcados por um bate-papo seguido de sessão de autógrafos. Já aterrissaram na ilha a historiadora Mary del Priore, os booktubers Bruno Miranda e Eduardo Cilto, a publicitária Cris Guerra, e o próprio cronista Daniel Bovolento, quem fechou a segunda temporada e agora vai abrir a terceira.

Obra intimista de Clarice Lispector ganha destaque em encontro literário (link) - nota de divulgação do Clube de Agosto. Redação Site Volts: Tayna Abreu.

Escrito em 1977 por Clarice Lispector, A Hora da Estrela (Editora Rocco) já foi várias escalado para provas de vestibulares em todo o Brasil. De cunho autobiográfico, a obra aborda questões como amor, família, solidão, religião, moral, vida e morte por meio de aprofundamento psicológico dos personagens.
A proposta do encontro é debater a respeito do primeiro contato das pessoas com literatura nacional renomada, a apresentação de obras clássicas em sala de aula e o impacto da autora brasileira modernista Clarice Lispector. O Clube de Agosto será no sábado (25), a partir das 15h, na Livraria Leitura do São Luís Shopping (Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati – São Luís/MA). A entrada é gratuita.

Psicose é tema do encontro de setembro do Clube do Livro (link) – nota de divulgação do Clube de Setembro. Redação Site Volts.

O Clube do Livro divulgou qual será o tema do encontro do mês de setembro: a obra Psicose, escrito por Robert Bloch. A roda de conversa terá entrada franca e será realizada no próximo sábado (15), a partir das 15h, na Livraria Leitura do São Luís Shopping.
“Psicose” (Editora Darkside Books) é muito mais que um livro de horror. Escrito por Robert Bloch e publicado em 1959, o romance apresenta um grande dilema aos leitores: uma pessoa é má por natureza ou produto do meio em que vive? Com base na campanha sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, o encontro traz um debate sobre a influência do psicológico no comportamento humano. Ressalta-se que o livro pode conter gatilhos envolvendo cenas de violência, suspense e terror.

Feminismo e literatura são temas do Clube do Livro em novembro (link) – nota de divulgação do Clube de Novembro. Redação Site Volts.

O Clube do Livro divulgou qual será o tema do encontro do mês de novembro: a obra de Virginia Woolf e a falta de liberdade das mulheres para trabalhar com a escrita e a redução do papel da mulher. A roda de conversa terá entrada franca e será realizada neste sábado (24), a partir das 15h, na Livraria Leitura do São Luís Shopping.
Um teto todo seu (A Room of One’s Own, 1929) é um ensaio em que encontramos a famosa citação “Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção”. A obra de Virginia Woolf surpreende do começo ao fim. Em suas linhas, Woolf trabalha o feminismo com ousadia e de forma leve, com personagens que enfrentam a dura realidade de ter suas competências questionadas por serem do sexo feminino. Enquanto homens eram estimulados a desenvolver sua criatividade, às mulheres restava o papel de submissão.

Clube do Livro Maranhão lança volume de curtaficção (link) - nota de divulgação do ebook autopublicado. Redação Site Volts.

Baseada em experiências dentro do Clube do Livro Maranhão, a história do conto transita entre diversos personagens – clubistas, pessoas que ainda não conhecem o clube e pessoas que nunca imaginariam ter um contato mais íntimo com a leitura. Cada um deles traz uma vivência singular em um “dia de clube”. O próprio encontro é assim descrito pela autora, que lança mão de sentimentos e emoções para transformar a experiência do clube em palavras.
A cada linha e a cada personagem, o leitor é tomado por uma onda de identificação. Talvez ele se veja na Bárbara, mandando mensagens para convidar os amigos para o encontro. Ou quem sabe se identifique com a Petra, mãe de André Paulo, que não resiste à curiosidade e visita o clube pela primeira vez. O André, é claro, acompanha a mãe. E aqui, de forma sutil, a ficção se alinha à realidade e mostra que os clubes de leitura são um espaço para todos.
[...] Para clubistas, Encontro – Um conto do clube do livro é uma forma de reviver a mágica do clube a qualquer instante. Para os navegantes que ainda não embarcaram na primeira viagem, o ebook adocica as expectativas e não deixa o leitor perder o navio. E para quem ainda não conhece o Clube do Livro Maranhão, a historieta é uma excelente oportunidade de adentrar a este incrível e extraordinário universo.

[EBOOK GRATUITO] Lançamento Virtual: Encontro – Um Conto do Clube do Livro (link) – campanha encerrada

Agora você pode ter uma experiência do Clube na palma da mão!
Encontro – Um Conto do Clube do Livro vem para te envolver e enredar sobre a vida literária. Retrata assim um encontro de leitores, onde é a leitura que movimenta todos os cenários, realidades e reflexões. É um conto pra você que acredita que um livro pode mudar o (seu) mundo.

Escrito por Kleris Ribeiro, autora estreante (e nossa coordenadora de atividades!), o conto fala sobre primeiras experiências, desde o primeiro contato com livros até propriamente a vivência de trocar ideias sobre livros, e por isso mesmo um grande incentivo para que se conheça mais sobre os clubes de leitura. E a ideia é essa: estimular os encontros e as conversas, sendo o livro a ponte para o diálogo aberto. Fechar o conto com o coração quentinho, sentindo que encontrou seu lugar, é apenas consequência – já encontrar informações diretas sobre o nosso Clube, não é mera coincidência.


Certificado pelo MinC, Clube do livro MA estará na Feira do Livro (link) – matéria de divulgação. Redação O Imparcial #publi

Independente e sem fins lucrativos, o Clube do Livro Maranhão é um ponto de cultura certificado pelo MinC (Ministério da Cultura) que tem em sua agenda encontros presenciais na cidade de São Luís para debater livros com a comunidade leitora, organização e participação em eventos literários.
O projeto é coordenado por Fernanda Araújo, e reúne nos espaços em que está presente jovens e adultos, incentiva a leitura e relação interpessoal. “Quando fui para Bienal me apaixonei pelos encontros, onde as pessoas debatiam criticamente os livros, debatiam o contexto social”, explica.

Clube do Livro MA conversa sobre o feminismo de Virginia Woolf no São Luís Shopping (link) - matéria de divulgação. Redação O Imparcial #publi

Os livros servem como ponto de partida para colocar em pauta vários temas. No encontro desse sábado o assunto irá girar em torno do feminismo. “Às vezes nem todos tiveram tempo de ler os livros do cronograma anual, mas isso não quer dizer que não possam participar dos encontros. A conversa, por si só e pela própria empolgação de quem leu, é um estímulo a outros leitores. Fora que as não obrigatórias deixam o leitor mais no controle das leituras, tornando a experiência bem mais prazerosa”, explica Kleris Ribeiro, coordenadora do ponto de cultura.
[...] Assim, o Clube propõe denunciar a falta de liberdade das mulheres para trabalhar como escritoras e a redução do papel delas na sociedade como um todo. Os encontros são gratuitos, assim como todos os eventos que o Clube do Livro MA organiza.

Vídeo institucional de apresentação Clube do Livro Maranhão (link) – vídeo de divulgação realizado pelo Jornal O Imparcial #publi



Este post sofre update de tempos em tempos.

Crédito de texto: Kleris Ribeiro

25/03/2018

Precisamos falar sobre relacionamentos abusivos


Atendendo a pedidos, decidimos publicar o texto (integral) que foi lido pela clubista Vanessa Cristina no Clube de Março, uma contribuição da nossa coordenadora Kleris Ribeiro para o encontro; entenda o contexto aqui. Compartilhe você também em suas redes sociais.


Contém spoilers do livro discutido*

  
E aí que mora o problema: quando eu percebo. Depois que a gente percebe, não dá mais pra ignorar, e começa a acontecer de a gente perceber mais ainda. 
Daniel Bovolento, Por Onde Andam As Pessoas Interessantes?

Oi, pessoal.

Estava pensando em como me “infiltrar” na conversa pra levantar umas questões importantes sobre esse livro, já que até então não tenho podido participar das reuniões com vocês *dor no coração*. A ideia da Vanessa de colaborar com um texto foi mara (OBG, Nessa ❤, também pela leitura) e espero contribuir um pouco com algumas reflexões.

Fiz a leitura de Belo Desastre como muitos ainda no ano de lançamento, 2012, e naquela época “gostei”. Apesar do quê de clichê, ainda vi um e outro problema, porque se tem alguma coisa que podemos admitir sobre a relação Abby e Travis, gostando ou não dela, é que ela é “conturbada” – a própria sinopse é honesta quanto a isso. Lembro que também muito se questionava sobre a mocinha Abby, por aceitar as loucuras do Travis, e sobre como ela “não se resolvia”. É inegável que o Travis tem uns problemas e a história nos leva a crer que o amor vai resolver, SE a mocinha ceder. Sempre. Só isso já classifica como questionável.

Acho que nem preciso dizer que na releitura pra este mês, tudo mudou. Tem muito mais pontos complicados – e, pior, tão sensíveis que podem passar pela gente sem sequer darmos conta. Porque é assim que a relação tóxica funciona. São as coisas pequenas que fazem a avalanche acontecer. Não vou me deter aqui à relação do casal – que é abusiva e doentia, ponto – mas à personagem principal e narradora desta história, que nos mostra uma noção de realidade mega bagunçada pelas relações ao seu redor.

A autora tentou de várias maneiras nos fazer engolir o que ela, como pessoa, imagino, também engoliu. Tem algumas coisas na trama que estão ali pra cumprir um papel único (mocinha e bad boy, o garoto de ouro pra contrapor o mocinho bad doy, a mocinha que não é tão donzela, uma pessoa “boa” pra ‘consertar’ a “ruim”, passados complicados pra justificar uma e outra coisa, usar cenas de perigo pra aumentar a adrenalina, o amor sobreviver a barreiras, o cuidado e zelo das pessoas ser um alento aos amores amargos, variadas coisas e cenas pra tapar buracos da própria trama, etc) e isso tudo acaba nos levando a conflitos bem menores, esquecendo que o que deve importar é a felicidade e a liberdade da personagem/pessoa. Tudo o que Belo Desastre mostra é que a felicidade de Abby sempre vai ser condicionada. E nunca respeitada. Se posso resumir a sensação dessa releitura em poucas palavras é: quero salvar a Abby #TeamAbbyLivreEFeliz

Vamos voltar um pouco essa história. Abby cresceu em meio a jogos, apostas, dinheiro, bebidas. Praticamente foi criada pelos pais de America, sua melhor amiga. A mãe de Abby é basicamente inexistente nessa trama, já que se foca mais no pai problemático que vai atrás dela. Abby foi considerada pelo pai um “trevo de quatro folhas”, até que ela superou o próprio e ele se virou contra ela. Ou seja, ela nunca poderia ter “superado o mestre”, e por ter feito isso, iria sofrer as consequências pra sempre, porque “família é família” (outro mito), você gostando disso ou não. O Mick vai ser usado mais pra criar um conflito na cabeça dela por ser uma vaga lembrança do que o Travis pode trazer, mas que, no final, vai se mostrar “diferente” – embora esse pai também mostre como a personagem principal fica bastante vulnerável quando entra em conflito sobre o que quer e o que é socialmente “certo”. Ou seja, desde sempre ela “se ferra” porque não consegue manter uma postura. Mas, chego lá.

Para recomeçar a vida, Abby escolheu sair de sua cidade, tão marcada pela pressão que sentia do pai e das pessoas que sempre a apontavam. America, sua melhor amiga, abre mão de sua vida (?????) e segue Abby nessa jornada. O tempo todo Abby diz que não quer voltar a viver aquilo de Wichita, não quer se envolver com nada nem ninguém MINIMAMENTE parecido. Mas não é que Meri sempre encaminha ela pro lado oposto do que quer? Vamos ver: foi America que levou Abby pra luta ilegal onde conheceu Travis, foi America que quis juntar o primo de Shepley com a amiga, foi America que decidiu ficar com o namorado no apartamento e arrastou a amiga... e olha que ainda cheguei na história da aposta.

Ah, mas elas fizeram um pacto de nunca saírem sozinhas. A Meri era melhor amiga dela, queria vê-la feliz, conhecer novas pessoas. Será mesmo? E pra isso precisava passar por cima das vontades de Abby? Precisava colocá-la nas situações mais desconfortáveis? Meri abriu mão da vida dela pra ajudar a Abby. Será que a Abby deveria dever a vida por isso?

Fato é que quando se pensa em relacionamentos abusivos e/ou nocivos, costuma-se focar em relacionamentos entre casais. Mas acontece em qualquer relacionamento – amoroso, familiar, entre amigos, outros – e, bem, a gente cresceu sem saber dessas coisas. Nunca fomos treinados para saber o que é tóxico na vida. Falha da humanidade. É por agora, na era da informação, que internet, exercícios de autoconsciência, vítimas falando a respeito e militâncias têm trazido isso à tona. E preciso dizer: a Meri é um raio de pessoa tóxica! Das mais silenciosas! Há cenas e mais cenas que mostram isso. Abby várias vezes disse não a ela. E não foi respeitada.

E, por incrível que pareça, temos a Meri contando seus reais motivos de fazer o que fazia. A história não explora isso muito bem, já que quer se centralizar no romance, mas é algo a se pensar. Tem um momento que a Meri diz que sempre queria que elas ficassem juntas, cada uma com um par, e ainda melhor se esses pares delas fossem chegados, como irmãos e primos. Então America conheceu Shepley, que tinha um primo. Não importava o quão desvairado era o Travis, America empurrou isso até o fim – até mesmo responsabilizou a amiga por não conseguir “consertar” o cara. E, caraca, ela atiçava. Jogava lenha na fogueira (causava o descontrole de Travis pra provar que ele gostava da amiga e a amiga ceder), fazia chantagem emocional (com o Shepley também), acuava, coagia, não ligava pros sentimentos de Abby – se sentiria desconfortável ou não – enfim, ela simplesmente deixava acontecer. Às vezes parecia que se arrependia. Mas aí jogava a culpa na Abby.

Aliás, todo mundo joga a culpa na Abby pra tudo – pelo fim da sorte do pai, pelos conflitos e até términos de relacionamento dos outros. Há um momento que Travis bate “sem querer” na namorada e a culpa porque ela estava muito perto quando ele batia em outro cara (ou mesmo porque a Abby desobedeceu ele).

E a Abby que não faz nada, gente? Aí que tá. Infelizmente, ela dá poder às pessoas pra fazerem o que elas quiserem. Mesmo quando ela diz CLARAMENTE não. Ela não se sente capaz porque provam pra ela que ela não é capaz. Ou que é louca. Ou que não está vendo as coisas realmente. Que não está considerando os sentimentos dos outros. E ela cede. Porque, imagino, que tenha medo de decepcionar pessoas. Que ela devia suprimir o que sente, pra agradar pessoas. Porque é mais fácil do que lutar contra. Porque toda vez que ela tenta lutar, vem as pessoas que ela ama passar por cima dos ideais dela. Que a felicidade dela devia ser fazer outras pessoas felizes. E aí vem toda aquela história de se culpar a vítima (!!!!), porque é mais fácil atribuir a ela (????). Qualquer argumento que se use de medo (alusões a abandonos ou violência), vergonha (lista grande!), ou culpa (transferência de culpa principalmente), já começa errado. Pode-se dizer assim que todo mundo começou errado com Abby, desde seus pais. É de dar uma dorzinha no coração mesmo.

É interessante (e coincidente) que o Travis, em dado momento, fala: “Você está agindo como se eu estivesse pedindo pra você atear fogo em si mesma” (foi quando ele pediu pra Abby ir para a Ação de Graças da família Maddox, sendo que eles tinham terminado). E é exatamente isso: é a pessoa atear fogo em si, pra manter alguém aquecido. É sufocante. A Abby se sente sufocada várias vezes, mas não é que sempre tem alguém pra convencê-la do contrário? De que é exagero?

Não é exagero, não é frescura e não é coisa da cabeça dela. São armadilhas. Ciclo vicioso e alguns comportamentos nocivos mais silenciosos que outros. Dentre muitos, cito aqui: gaslight (manipulação pra fazer a vítima parecer louca ou incapacitada, até perder a noção da própria realidade), isca (uma provocação pra desestabilizar a pessoa), culpas irracionais, chantagem emocional, senso de direito, narcisismo (quando se crer que o outro deve servir a si porque fez algo “merecedor”), etc. Aqui falo do Travis, da Meri, do Mick (deixei um link no evento para quem quiser se informar mais). A Abby, claro, também não é essa pessoa perfeita, também teve uns comportamentos questionáveis (como só lembrar do Finch quando não estava na bolha Travis-America-Shep ou ver outras mulheres como inimigas), mas nada tão “tão” nocivo quanto outros personagens (opinião minha).

Não quero me alongar mais que isso, porque já tem páginas de TEXTÃO, então pra encerrar vou deixar aqui umas perguntinhas e uma reflexão final. 

  • Se a Abby dissesse não, permanecesse em sua posição e se negasse a fazer coisas que lhe pediam – em qualquer situação do livro – o que as pessoas fariam? Podendo ser Meri, Travis ou Mick (faça sua escolha).
  • Se a Abby fosse solidária com as ex garotas do Travis ou mesmo com outras garotas da faculdade (como sua colega de quarto, Kara), no sentido de não tê-las como inimigas, como as pessoas encarariam a opinião dela?
  • Se Abby colocasse a culpa que tanto lhe jogam no lugar certo (no da pessoa que fez errado), o que iria lhe acontecer?
  • Se Abby quisesse ter um amigo fora da roda fechada e esse amigo não fosse gay, o que aconteceria com ela?
  • Se Abby decidisse mudar de curso ou universidade, o que ou quem ela teria que enfrentar? Quem a apoiaria?
  • Se Abby tivesse escolhido o Parker ou qualquer outro carinha da universidade, o que teria acontecido com ela?
  • Por que que é ela quem sempre tem que ceder? Por que ela tem sempre que perdoar? Por que ninguém é compreensivo com ela?
  • Por que ninguém vê que ela pode resolver as coisas dela sozinha?
  • Se VOCÊ fosse a Abby e tivesse que gastar todas as suas energias pra fazer algo que quer (algo simples até) e tivesse que justificar pra Deus e o mundo, como VOCÊ se sentiria?

Outro simples exercício é escolher uma cena e inverter a situação. Se nessa inversão houver caso de sexismo (favorecendo a figura masculina), intolerância (desfavorecendo a figura feminina), difamação, incitação ao ódio ou violência, sim, é problemático. A grande questão hoje em dia é reconhecer isso. E ao reconhecer, não se desesperar, pois você não está sozinha(o) e há maneiras de melhor lidar. O que vemos na maioria dessas situações em que há um “consentimento” para uma transgressão (de espaço, de poder, de abusos), é o desejo de ser aceita, amada, respeitada. Podemos nós ter sido abusivos ou ter sido abusados, em inúmeras situações ou níveis, mas o importante é saber que somos pessoas e podemos ser suficientes. Essa consciência é que é libertadora.

É muito difícil que a vítima se dê conta que está vivendo um relacionamento abusivo. Por isso, a mulher precisa do apoio da família e de amigos que tenham uma visão de fora e percebam o que está havendo na relação. Para ajudar, o melhor é fazer a vítima entender, por si própria, que está inserida em uma relação tóxica. Uma abordagem agressiva e impaciente, que exija percepção imediata, não adianta: é necessário ajudar a vítima a se questionar e questionar sua posição dentro do relacionamento. O tratamento com um psicólogo é o método mais indicado para que uma real mudança aconteça, pois a mulher precisa compreender profundamente os problemas de sua relação para conseguir mudá-los. 
Beatriz Manfredini e Giulianna Muneratto. 
A louca não sou eu @aloucanaosoueu (instagram)

Obrigada por ler/ouvir até aqui.

Kleris Ribeiro
Coordenadora de Mídias e Bastidores no Clube do Livro Maranhão

Veja fotos do encontro!
Assista nos stories um pouco da conversa enquanto é tempo. Nos destaques do instagram @clubedolivroma, procure por “Encontros”.

Veja outras contribuições aqui
#clubedolivroma #vemproclube
#maranhãodeleitores

27/09/2017

Contexto Jovem #eufui #eutava


Se tem um fator pelo qual o Clube do Livro Maranhão é (re)conhecido, é pelo seu caráter integrador. Em oportunidades como feiras de livro, em que se objetiva ir um pouco além das atividades regulares (como discussão de livros), o Clube costuma “mirar” em encontrões encontros com agentes diversos (autores, produtores culturais ou produtores de conteúdo, bibliotecários, e demais profissionais da comunidade) – desde que voltados para um interesse em comum: o universo da leitura.

 

Vez que isso faz tão parte de nosso perfil, e a FLAEMA (Feira do Livro do Autor e Editor Maranhense) havia nos cedido espaço e liberdade para as ações, paralelas à AMEI (Associação Maranhense de Escritores Independentes), estava em nossas mãos ousar um pouco mais. E foi o que fizemos – convidamos parceiros e montamos uma programação voltada completamente para o que seria o espaço jovem. Melhor dizendo, o batizado Contexto Jovem.


O público viveu esse contexto por 10 dias. Nos bastidores, a organização viveu por uns 50 dias – e, em meio à correria, pareceu que foi bem mais que isso. Podemos dizer que foi um dos nossos maiores desafios até então e que toda nossa essência foi testada. O que são cerca de VINTE eventos ANUAIS perto de MAIS DE TRINTA distribuídos em DEZ DIAS, né? E nem contei ainda sobre o espaço... Montagem, organização, decoração e administração. Foi uma maratona de tudo! Mas, junto à galera do Site Volts, com quem compartilhamos o local e programação, conseguimos construir um excelente contexto. Também foi extraordinário o que conseguimos todos realizar.



Além da área de palestras, rodas de conversa, encontros e afins, havia pontos específicos para interação com o público. O varal fotográfico (com fotos de eventos do Clube), o mural de sonhos (para escrever em post-its) e as diversas ilustrações em exposição e venda (dos artistas Laísa Couto e Davi Coelho) cobriram várias paredes deste espaço, mas o point do ano mesmo foi o paredão Clube/Volts <3 Como visitar o espaço e não tirar uma fotínea naquele backdrop? O projeto Ciranda do Clube do Livro também teve seu lugarzinho – para reunir as arrecadações de livros – e a Guarderia dos Meninos fez uma pequena participação em fins de semana – com chuva de bottons, cadernetas e outros mimos mais. 












E assim houve dias para sentar, discutir, refletir, conhecer... Houve dias para saltar da cadeira e, em roda, fazer exercícios junto ao grupo. Houve dias também para sentar no chão e entre medidas e dobraduras, corta aqui, cola lá, se divertir com a criatividade em mãos. E que maravilhoso foi ver e ter tantos clubistas dispostos a colaborar nessa jornada! Entre equipe, parceiros, convidados e monitores, coordenamos de mais de 70 pessoas <3



















Houve ainda, infelizmente, problemas de divulgação que prejudicaram espaços de eventos, o que nos deixou por conta própria. Não foi dessa vez que conseguimos atingir grandes marcas de público, mas fica a nossa GRATIDÃO a todos que puderam comparecer e prestigiar os eventos. Não diminuímos em nada nossa qualidade por um contratempo desses. Aliás, cada reviravolta só representou união e crescimento, senão, mais aprendizados nesse ramo cultural.

O trio que você respeita

Obrigada por terem vivido esta experiência conosco. Obrigada àqueles que nos deixaram mensagens de carinho (muitas DMs!) e trocaram uma ideia conosco. Obrigada por cada apoiador (Óticas Diniz e Maracap!) que acreditou e botou fé na nossa proposta. Foi, enfim, um espaço que reuniu, que conectou, que inspirou. Isto podemos afirmar que fizemos – juntos. 

Ainda nos veremos em novas empreitadas.

 



 Fotos por Laísa Couto, Almiceia Diniz e outros colaboradores*


Kleris Ribeiro
Coordenadora de Mídias e Bastidores
Equipe CLM


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