19/03/2018

Relacionamentos abusivos na literatura


Ainda se sente por fora das discussões do clube de março? A gente te explica!


Da mesma forma que relacionamentos abusivos estão impregnados na nossa história de vida, eles estão entranhados na nossa literatura. É difícil encontrar um livro, de ficção ou não, que não tenha algum desses traços de comportamento. Foi por conta de correntes feministas, que, por identificar o machismo, a hierarquia ou relações de poder por submissão (patriarcado) e diversas violências intrínsecas, engajou-se no resgate de um equilíbrio para os relacionamentos sociais.

Ao contrário do que se pensa, o feminismo não é uma versão avessa do machismo – embora exista uma ideologia assim (o chamado femismo). No feminismo, discutem-se questões de gênero, buscam-se direitos e deveres iguais, além de respeito sem opressão. Para entender melhor sobre isso, confira aqui um vídeo maravilhoso de introdução ao feminismo, da Chimamanda N. Adichi. Você também pode baixar gratuitamente (aqui) o livro na Amazon. 

A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura.

Junto ao movimento tecnológico, de pessoas encontrarem espaço, voz, comunidades, expressarem-se e buscar entender os comportamentos sociais, nos últimos anos também temos visto outras mobilizações se erguendo em prol deste equilíbrio. Nesse contexto, a saúde mental nunca esteve tão em alta e em claro, a fim de recuperar, restaurar e reassumir o controle das emoções para restabelecer relacionamentos mais saudáveis (de pessoas consigo mesmas e com outros). Ter esse reconhecimento das nossas emoções não só nos faz compreender melhor como viver em sociedade, mas também como escapar de ciladas relacionais.

  

E como isso tudo se interliga ao tema do mês?



No mês de março, mês da mulher, chovem homenagens e declarações que contrastam com a violência diária contra a própria; por isso foca-se na luta, na informação, na mobilização, para alcançar mais e mais mulheres que, por força cultural, ainda não sabem e/ou não conseguem se defender de tamanha opressão. Mais que cansadas das duras estatísticas, senão do sentimento de impotência ante a todas essas violências, as mulheres têm se manifestado da maneira que podem, da maneira que encontram, para se sentirem mais seguras. Assim, buscamos primeiro em nós mesmas, juntas, uma força que nos leve para um próximo passo nesta jornada de liberdade.


Você tem dificuldade em saber o que é abusivo ou não?
Violência não é só física. Veja mais sinais, aqui.
Ou aqui


No meio dos livros, esse manifesto também está ganhando expressividade. Embora ainda tão pouco, tem sido o bastante para auxiliar na percepção, união e alcance das causas. Por isso mesmo é preciso questionar, é preciso problematizar, é preciso conversar sobre o que está sendo consumido. E é nesse sentido que o Clube de Março se dedica a discutir os chamados “relacionamentos abusivos”. O que sabemos sobre eles? Como eles nos afetam? Como reconhecer que alguém invadiu nosso espaço? O que é “romantizar”? O que é a dependência emocional? Como a violência psicológica pode ser tão sutil? O quanto está claro ou o quanto temos enxergado? Como ajudar ou ficar do lado de alguém que quer se sair disso? A quem direcionar nossa fúria? Nosso julgamento? E nosso apoio?

O quanto você conhece sobre comportamentos abusivos?
Aqui tem 57 comportamentos que identificam relações abusivas
E aqui tem um bate-papo sobre abuso psicológico


Sabia que os relacionamentos abusivos
se aplicam a outros relacionamentos,
não só casais?

Outra cilada: você conhece o negging? É uma artimanha de “sedução” que usa inseguranças contra a própria pessoa. Veja mais aqui.

“É muito difícil que a vítima se dê conta que está vivendo um relacionamento abusivo. Por isso, a mulher precisa do apoio da família e de amigos que tenham uma visão de fora e percebam o que está havendo na relação. Para ajudar, o melhor é fazer a vítima entender, por si própria, que está inserida em uma relação tóxica. Uma abordagem agressiva e impaciente, que exija percepção imediata, não adianta: é necessário ajudar a vítima a se questionar e questionar sua posição dentro do relacionamento. O tratamento com um psicólogo é o método mais indicado para que uma real mudança aconteça, pois a mulher precisa compreender profundamente os problemas de sua relação para conseguir mudá-los.” Post do perfil A louca não sou eu.

 

Dentre diversas leituras que poderíamos sugerir para dar partida nessa conversa, o livro do mês é ideal para o debate, pois, além de prato cheio (de comportamentos abusivos de variados tipos), a recepção dos leitores revela como bem nos portamos e temos nos portado diante dessa mudança de olhar para os relacionamentos – é real teste sobre como lidamos com os comportamentos abusivos no dia a dia.

Best-seller que divide opiniões, Belo Desastre da Jamie McGuire, é o primeiro livro da série homônima, que teve sequência com os “Irmãos Maddox”. Chegou ao meio literário em 2012 já abalando estruturas – era o “precursor” de um novo gênero/categoria que viria a bombar a seguir: o Novo Adulto (NA – New Adult).

Em termos mercadológicos, esta é a última categoria dos chamados livros juvenis, uma fase de transição (do seu público ou de seus personagens) que é marcada pelo fim de adolescência e começo da vida adulta, a saída da escola e início de faculdades ou carreiras. São livros que focam em relacionamentos amorosos e na busca pelo equilíbrio de vida ou identidade. Podem ou não ter grande apelo hot/erótico, além de envolver relacionamentos tóxicos.

Para explorar um pouco mais sobre esse boom do NA,
veja aqui, aqui, aqui e aqui.

Belo Desastre, assim, acabou por se tornar grande referência em tal gênero/categoria por diversos elementos de sua narrativa terem virado uma “marca”: a contraposição da boa moça e o bad boy, o garoto problema, a garota diferente, recomeços após grandes problemáticas/traumas do passado, descobertas pessoais e independência, sexualidade, conceito de pessoas “consertarem” pessoas, apreço pelo perigo/adrenalina, relacionamentos conturbados, romantização de comportamentos nocivos, etc. Abaixo, livros que fizeram parte desse boom no meio literário:

Easy (Tammara Webber)
Entre o Agora e o Nunca (J.A. Redmerski)
Paixão Sem Limites (Abbi Glines)
No Limite da Atração (Katie McGarry)
Perdendo-me (Cora Carmack)
Louco Por Você (Jasinda Wilder)
O Segredo de Ella e Micha (Jessica Sorensen)
Métrica (Colleen Hoover)

À luz deste aparato contextual, o Clube de Março vem para reunir leitores e discutir impressões, independente de sua preferência quanto ao polêmico gênero/categoria. Há quem goste, há quem não goste, e gostaríamos de juntos ter uma melhor compreensão sobre essa recepção dos leitores – sempre com respeito às opiniões.


Vem conversar com a gente!

24/mar – 15h – na Livraria Leitura (São Luís Shopping)
Entrada gratuita
Marque presença aqui
Conheça mais sobre o livro aqui
Para rever o cronograma de leituras de 2018, aqui

“Sempre respeite o tempo de outra mulher. Ninguém nasce desconstruída.”
23 formas de uma mulher empoderar a outra
indicadas por ONGs e coletivos feministas

#clubedolivroma #vemproclube
#maranhãodeleitores


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