08/03/2013

Sexta de Ficção: "Os 13 porquês"


Hey, vocês! Como estão?


Começo o post de hoje com uma pergunta: Vocês sabem o que é “Sick-lit”?


Se não, eu explico, “Sick-lit” é um novo tipo de literatura que passou a fazer sucesso há pouco tempo, sendo voltada principalmente para jovens, ela trata de temas polêmicos que vão desde o bullying até o suicídio. São livros com histórias fictícias, mas que tratam de problemas reais de uma forma bem contextualizada, em minha opinião é daí que vem o sucesso.

Mas enfim, por que eu comecei o post de hoje que esta explicação?

Simples, há alguns dias atrás estava andando pelos corredores da biblioteca da minha escola e encontrei um livro que chamou minha atenção por seu título: “Os 13 porquês”.


Não tinha a menor ideia do que se tratava quando o peguei , mas quando comecei a ler percebi que era um “Sick-lit” e conforme fui passeando por suas páginas me apaixonei por sua história. Por esse motivo e por seus maravilhosos ensinamentos e reflexões, ele é o assunto do post de hoje.


O livro conta a história de Clay Jensen, um adolescente que uma bela manhã recebe em sua casa um pacote sem remetente contendo fitas. Assim que ele começa a escutar percebe que a voz presente nas fitas era de Hannah Baker, uma amiga de escola pela qual ele era apaixonado e que havia se suicidado há poucos dias.

A história se divide em trechos narrados por Clay e trechos narrados por Hannah em suas fitas, esta por sua vez conta 13 histórias, cada uma sobre os atos de uma pessoa, constituindo os 13 motivos que levaram ao seu suicídio.

Mesmo com Clay e Hannah sendo personagens principais e o suicídio de Hannah ser o principal fato da trama, o livro possui outros assuntos polêmicos  e personagens que por mais que tenham aparecido pouco, passam mensagens importantes.

Em minha opinião, é um livro que poderia ser facilmente utilizado em sala de aula para melhorar a visão de alunos quanto a assuntos polemizados e difíceis de serem tratados e a sua leitura é viciante.

Mas enfim, vamos às mensagens do livro: Como disse, Hannah se suicidou, e o escritor Jay Asher conseguiu dividir bem os motivos que levam ao suicídio de jovens nas fitas.
A primeira fita conta a história de Hannah e Justin Foley, seu primeiro amor, e o culpado pelo desencadeamento de todos os outros fatos terríveis da vida de Hannah, segundo ela mesma diz:

[..]Nós havíamos percorrido um longo caminho, Justin [...] você iniciou uma cadeia de aventos que arruinou minha vida [...]



Hannah havia acabado de se mudar para uma nova cidade e teve seu primeiro beijo, somente um único beijo, com Justin, que se aproveitou disso para espalhar boatos sobre a integridade de Hannah para todos da escola, algum tempo após isso, os alunos fazem uma lista onde ofendem Hannah, tratando-a como “uma qualquer “, o que faz com que os boatos e brincadeiras maldosas aumentem.

Nestes pontos o autor trabalha o bullying e de que forma ele afeta os jovens, levando-os, às vezes, a atos extremamente críticos  como tirar a própria vida.

O autor também trabalha o quanto os amigos verdadeiros são importantes na vida de quem está passando por dificuldades, usando Jéssica e Alex para isso, estes eram amigos de Hannah assim que chegaram à cidade no mesmo período que ela, eles se ajudavam, se apoiavam, mas de uma hora para outra eles se separaram, começaram a andar com outras pessoas, agir de uma maneira diferente, deixando Hannah desnorteada e deprimida, outro fator que leva ao suicídio.

Hannah não podia contar com ninguém, pelo menos era o que pensava e quando Clay tenta se aproximar para entendê-la, Hannah, por mais que gostasse muito de Clay e soubesse que de todos na sua escola era o mais honesto,  tinha medo, medo de se apoiar em alguém e esse alguém a deixasse cair assim como fizeram Jéssica Davis e Alex  Standall. Clay ficou assustado com o afastamento de Hannah e isso fez com que ele também se afastasse e por esse fato, Clay se culpa muito pela morte de Hannah.

É nesta parte do enredo que vemos o quanto a confiança nas pessoas que gostamos é importante e o tamanho mal que ela nos causa quando é quebrada.

Não bastasse Hannah ter sofrido bullying, abandono dos amigos e medo de viver uma bela história de amor, ela também presencia momentos terríveis, como ver, ou melhor, ouvir através das portas fechadas de um closet, Bryce Walker estuprando Jéssica:

“E com a música bombando, ninguém ouviu ele atravessar o quarto. Subir na cama. As molas do colchão gritarem debaixo do peso dele[...]”

E ser assediada  por Tyler Down, em sua própria casa e por Marcus Cooley, em uma lanchonete, e por Bryce (apesar de,no fim, ter consentido com o ultimo por querer “se abandonar”), respectivamente:

[...] estou tentando me colocar no seu lugar, Tyler. Tentando entender a excitação de ficar olhando pela janela do quarto de uma pessoa. Observando uma pessoa que não sabe que está sendo observada. Tentando flagrar esta pessoa no ato de...”.

“[..] agora seu braço enlaçava as minhas costas, me puxando para perto de você. E sua outra mão tocava minha perna. A parte superior da coxa. [...] Para com isso, eu exigi.”

“[...] você deslizou a mão por cima da minha barriga. Seu polegar tocou a parte de baixo do meu sutiã e seu dedo mínimo tocou a parte de cima da minha calcinha.”

O estupro e o assédio são assuntos tratados de maneira direta, porém não explicita, na obra; de uma maneira que nos faz refletir sobre o assunto e sobre quão terríveis são essas coisas e o quanto isso pode traumatizar alguém. Hannah passa mal quando se lembra disso e admito que quando li essas partes, pude sentir através de suas palavras, os sentimentos horríveis que estas situações causaram a Hannah.

Mas como disse no inicio, não são apenas Hannah e Clay os personagens que nos mostram alguns aspectos importantes. O Sr. Poter e Skye Miller são dois personagens que a meu ver tem papeis superimportantes na vida de Hannah e de Clay, respectivamente.

O Sr. Poter por nos mostrar o quanto um adulto orientador pode ser importante em determinados momentos da vida, e que o papel de guia é extramente importante. O professor  - e orientador de Hannah -  foi a única pessoa que soube pela boca dela, antes da personagem cometer suicídio, que ela estava mal, sem chão, vazia como ela mesma diz:

“Neste exato momento, me sinto perdida, eu acho. Meio vazia. [...] Simplesmente nada. Não me importo mais.”

Porém, Hannah não consegue a resposta que queria de Sr. Poter quando pede ajuda, daí tiramos o quanto uma orientação bem dada, uma conversa mais demorada e bem detalhada ou mais atenção a pequenos indícios demonstrados são importantes.

Skye por sua vez aparece duas vezes no livro, na primeira vez ela está no mesmo ônibus que Clay, este narra  a mudança de Skye, que passou de uma menina alegre e bonita à menina introvertida e desleixada . Percebe-se durante a leitura, que Skye tem sinais de depressão, mas Clay está tão concentrado nas fitas que não se dá conta do quão mal Skye está em seu interior e a deixa quando desce do ônibus. Já a sua segunda aparição, é no ultimo capitulo do livro, onde ainda aparece depressiva, cabisbaixa, falando baixo e sem olhar nos olhos de ninguém, porém é aí que uma das maiores lições do livro é dada: Clay vai atrás de Skye, quem sabe agora pudesse fazer o que não fez por Hannah e nos mostra que, às vezes, devemos deixar o medo de lado e ir atrás do que gostamos, do que queremos, falar o que temos tanto medo de deixar sair, nos expressar, porque depois de um tempo não vai adiantar chorar, reclamar ou perguntar “o que eu fiz de errado?”, o momento vai ter passado, a chance terá ido embora e você nunca poderá pedir desculpas, nem dizer a alguém que o ama, nem deixar o mundo saber quem você é.

Este foi o primeiro livro de Jay Asher, é da Editora Ática, se tornou um dos meus preferidos, foi lançado em 2007 e existem planos de que se torne filme ainda esse ano.

Nas ultimas folhas do livro, o autor ainda nos dá dicas de como entender, perceber e lidar com sintomas da depressão que levam ao suicídio e também tem uma seção que diz “Caso você se identifique com os sintomas de Hannah Baker e precise de ajuda, procure o posto de atendimento mais próximo de sua região.” e dá endereços e telefones de lugares que podem ajudar pessoas que estão passando por este difícil momento.

É uma ótima história, com todos os seus fatos e detalhes bem amarrados, com uma forma espetacular de passar os sentimentos passados por todos os personagens e que me ensinou muito, se você quer ler a história de Hannah e de Clay, compre o livro aqui e bom proveito.

Abraço e até a próxima! ^_^

4 comentários:

  1. Já li o livro, gostei bastante :D
    Boa Resenha e a Biblioteca da sua escola é boa viu uahsushaushauhsauhsuah
    http://hiperatividadeliteraria.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Obrigada! Fico muito feliz por você ter gostado. ^_^
      E eu realmente amo aquela biblioteca. *-*

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  2. Porque no final do livro clay vai atras da skye?? Pq eles se viram no onibus?? Pq ela parecia sofrerno msm q hannah??

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    1. pra poder ajudar ela, coisa que ele não pode fazer com a hannah

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